Alteração do Fenotipo Vascular no Autismo – Correlação com o Stress Oxidativo

17/09/2008

Estudos anteriores mostraram provas de uma reactividade anormal das plaquetas e de alteração do fluxo sanguíneo em crianças com autismo.
Foram comparadas 26 crianças com autismo com 12 normais. Pesquisados vários marcadores, um para a peroxidação dos lípidos, outro para a activação das plaquetas e outro para a activação do endotélio vascular.
Todos estes marcadores estavam aumentados nas crianças com autismo. O marcador da peroxidação dos lípidos (indicador do stress oxidativo) correlaciona-se bem com os dois indicadores do estado vascular.
Conclusão: Além do stress oxidativo aumentado, a activação das plaquetas e do endotélio vascular também podem contribuir para as manifestações clínicas do autismo.

Fonte:
Altered Vascular Phenotype in Autism
Correlation With Oxidative Stress

Yueng Yao, BSc; William J. Walsh, PhD; Woody R. McGinnis, MD; Domenico Praticò, MD

Arch Neurol. 2006;63:1161-1164

Afiliação:
Department of Pharmacology, University of Pennsylvania, School of Medicine, Philadelphia (Ms Yao and Dr Praticò);
and Pfeiffer Treatment Center, Warrenville, Ill (Dr Walsh). Dr McGinnis is in private practice.
O Dr McGinnis faz parte do comité científico da Associação Americana de Autismo e Asperger e coordena estudos sobre autismo em 3 universidades (Harvard, Case Western Reserve University e Berkeley)

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Toxicidade, stress oxidativo, lesão neuronal no autismo

15/09/2008

Segundo a Autism Society of América, o autismo é agora considerado uma epidemia. O aumento na taxa de autismo, revelado por estudos epidemiológicos e por relatórios governamentais implica a importância de factores externos ou ambientais que podem estar a mudar.

Este artigo discute as evidências que existem em algumas crianças com autismo, que se podem tornar autistas por morte de células cerebrais ou dano cerebral algum tempo depois do nascimento, em resultado de lesão externa. E coloca a hipótese de que a toxicidade e o stress oxidativo possam ser uma causa de lesão neuronal no autismo.

O artigo descreve as perdas de função das células de Purkinje no autismo, a sua fisiologia celular e vulnerabilidades; depois as provas de perda pós-natal de células deste tipo.

Descreve em seguida o aumento do volume cerebral no autismo e como pode estar relacionado com perda de células de Purkinje (no cerebelo).

Em terceiro lugar, revê as provas da toxicidade e stress oxidativo e discute o possível envolvimento do glutatião.

Finalmente, o artigo discute o que pode acontecer no decurso do desenvolvimento e os múltiplos factores que podem interagir e tornar estas crianças mais sensíveis à toxicidade, ao stress oxidativo e às lesões neurológicas.

Fonte:

Evidence of toxicity, oxidative stress, and neuronal insult in autism.

Kern JK, Jones AM.

Department of Psychiatry, University of Texas Southwestern Medical Center at Dallas, Dallas, Texas 75390-9119, USA. janet.kern@UTSouthwestern.edu

J Toxicol Environ Health B Crit Rev. 2006 Nov-Dec;9(6):485-99.


Aumento de androgénios

14/09/2008

Múltiplos estudos demonstram agora que o autismo é caracterizado, em parte, por uma desregulação do sistema imunitário, incluindo neuroinflamação e inflamação gastrointestinal.

Além disso, algumas das crianças autistas têm níveis de androgénios superior à média.

Os autores propõem o uso de espironolactona, por via oral, nestes casos. Tem propriedades imunológicas desejáveis, além de anti-inflamatórias. É também anti-androgénio, o que recomenda mais a sua utilização neste grupo.

Fonte:

Spironolactone might be a desirable immunologic and hormonal intervention in autism spectrum disorders
A subset of autistic children exhibit higher than average levels of androgens
Bradstreet JJ, Smith S, Granpeesheh D, El-Dahr JM, Rossignol D.
Med Hypotheses (2006), doi:10.1016/j.mehy.2006.10.015
© 2006 Elsevier Ltd.
All rights reserved.


Oxigénio Hiperbárico

14/09/2008

Numerosos estudos em autistas mostraram que há hipoperfusão cerebral, inflamação do sistema nervoso e do intestino, desregulação imunitária, stress oxidativo, disfunção das mitocôndrias, anormalidades nos neurotransmissores, perturbação da destoxicação de toxinas, disbiose, alteração da produção de porfirinas.

O tratamento com oxigénio hiperbárico já provou que permite aumentar o fornecimento de oxigénio a tecidos hipoperfundidos ou hipóxicos, diminui a inflamação e o stress oxidativo, aumenta a actividade das mitocôndrias e o número de células germinais em circulação. Pode também melhorar a função imunitária, as anormalidades dos neurotransmissores e a disbiose encontradas nos doentes autistas.

Fonte:

Hyperbaric oxygen therapy might improve certain pathophysiological findings in autism

by Daniel A. Rossignol, MD
Med Hypotheses (2006), doi:10.1016/j.mehy.2006.09.064
© 2006 Elsevier Ltd.
All rights reserved.

Disbiose  (ou disbacteriose) é a alteração do equilíbrio bacteriano no corpo. É mais importante no tubo digestivo e na pele, mas pode aparecer nas mucosas.

O Equilíbrio das várias bactérias que vivem connosco pode ser rompido por exemplo com antibióticos, que seleccionam algumas bactérias que não são sensíveis. se esse desiquilíbrio se autoperpetua, cria-se uma disbiose. A alteração das bactérias também pode levar ao aumento dos fungos.


Anticorpos contra Sistema Nervoso

14/09/2008

Os mecanismos por detrás da reacção autoimune contra antigénios do sistema nervoso, no autismo, não estão compreendidos.

Neste estudo avaliou-se a reacção do soro de 50 doentes com autismo, comparando com 50 pessoas saudáveis.

Uma significativa percentagem de autistas tinha anticorpos elevados, simultâneamente contra a gliadina e contra o cerebelo.

Conclusão: Um subgrupo de doentes com autismo produzem autoanticorpos contra as células de Purkinje (do cerebelo) e contra os péptidos da gliadina. Estes anticorpos podem ser responsáveis por alguns dos sintomas neurológicos do autismo.

A gliadina é a proteina que dá extensibilidade ao glúten (é por isso que o pão de trigo é macio e elástico, ao contrário do pão de milho puro).

Fonte:

Immune response to dietary proteins, gliadin and cerebellar peptides in children with autism.

Vojdani A, O’Bryan T, Green JA, Mccandless J, Woeller KN, Vojdani E, Nourian AA, Cooper EL
Nutr Neurosci Jun 2004; 7(3) :151-61

Afiliação
Section of Neuroimmunology, Immunosciences Lab., Inc., 8693 Wilshire Blvd., Ste. 200, Beverly Hills, California 90211, USA. drari@msn.com


Autoanticorpos para caseina e gluten e deficiente resposta a vacinas

14/09/2008

Comparando 30 crianças com autismo (3-6 anos) com irmãos sem manifestações, verificou-se:

Os autistas tinham 83,3% de autoanticorpos contra a caseína e 50% contra o glúten (os irmãos saudáveis tinham 10% e 6,7%, respectivamente).

Os anticorpos após vacina do sarampo tinham baixa taxa de positividade (50%), assim como na papeira (73,3%) e na rubéola (53,3%). Os irmãos tinham 100%.

Anticorpos antimegalovírus eram positivos em 43,3% dos autistas e apenas 7% dos irmãos.

Conclusão: O autismo pode estar associado a uma resposta autoimune às proteínas da dieta e a uma deficiente resposta imunitária aos antigénios das vacinas do sarampo, papeira e rubéola. Tanto pode ser causa como consequência.

Uma nota curiosa deste estudo é a elevada percentagem de irmãos que têm reacção contra as proteínas do leite e do glúten. Que manifestações isso provoca?

Fonte:

Possible immunological disorders in autism: concomitant autoimmunity and immune tolerance.

Kawashti MI, Amin OR, Rowehy NG
Egypt J Immunol 2006; 13(1) :99-104

Afiliação
Microbiology Department, Faculty of Medicine (For Girls), Al Azhar University, Cairo, Egypt.


Deficiência de ácidos gordos corrigida com dieta

14/09/2008

Crianças com autismo e S. de asperger têm uma significativa deficiência de ácidos gordos.

Quando são administrados suplementos de óleo de peixe rico em EPA, houve um aumento de 200% nos níveis de EPA, um aumento de 40% no DHA e uma redução do ARA (cerca de 20%).

As crianças com autismo e S. Asperger tinham significativamente maiores concentrações de RBC fosfolipase A2 tipo IV, o que era também normalizado com os suplementos descritos atrás.

Fonte:

Essential fatty acids and phospholipase A2 in autistic spectrum disorders.

Bell JG, MacKinlay EE, Dick JR, MacDonald DJ, Boyle RM, Glen AC
Prostaglandins Leukot Essent Fatty Acids Oct 2004; 71(4) :201-4

Afiliação
Lipid Nutrition Group, Institute of Aquaculture, University of Stirling, Stirling, Scotland, FK9 4LA, UK. g.j.bell@stir.ac.uk