Diabetes, Poluentes e Autismo

26/12/2008

A diabetes, na realidade são 2 doenças. A diabetes tipo 1 é uma doença autoimune em que as células do pâncreas produtoras de insulina são progressivamente destruídas.

Na diabetes tipo 2, que é sobretudo do adulto, ou o pâncreas produz pouca insulina, ou as células não a usam adequadamente.

Esta diabetes tipo 2 tem vindo a aumentar muito. A OMS calcula que haja 180 milhões de diabéticos. Em 2030 haveria o dobro.

A explicação “oficial” para esta epidemia é que é uma doença do estilo de vida, causada por excesso de alimentação e pouco exercício físico.

No entanto, um epidemiologista da Universidade de Daegu, na Coreia do Sul, Duk-Hee Lee, testou esta hipótese e verificou que não era verdadeira. Para o efeito, analisou dados do estudo National Healyh and Nutrition Examination Survey (NHANES), realizado nos Estados Unidos da América, que media o estado da diabetes além de outras coisas. Entre estas, media os níveis sanguíneos de 6 Poluentes Orgânicos Persistentes (POP).

Lee verificou que as pessoas que tinham níveis elevados de POP, tinham 38 vezes maior probabilidade de ter diabetes. Os obesos que não tinham níveis elevados de POP não tinham maior tendência para a diabetes. Os que tinham maior risco eram os gordos com níveis altos de POP.

Os POP estudados ou eram pesticidas, como o DDT ou o clordano, ou dioxinas que se formam em certos processos industriais ou na queima de lixos.

O aumento da diabetes estaria então ligado ao crescimento dos poluentes orgânicos persistentes.

Se esta interpretação se revelar correcta, temos mais uma doença que aparece como produto do meio ambiente e de poluentes que, de maneira um pouco desleixada, espalhamos por todo o lado.

O que torna também mais fácil de acreditar que o autismo, cuja incidência está também a aumentar, seja deviudo a causas ambientais, sobre um fundo de susceptibilidade.

Origem: New Scientist, 13/09/2008

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Marcadores bioquímicos para diagnóstico e tratamento

12/12/2008

ESTUDO MARCANTE: O AUTISMO RECONHECIDO COMO TRATÁVEL MEDICAMENTE

(Traduzido e adaptado da Newsletter da USAAA de 10/12/2008)

 

Em Abril de 2008, o Colégio Americano de Genética Médica (ACMG), que é um colégio da Associação Médica Americana (AMA), publicou orientações clínicas que os geneticistas clínicos deviam seguir na determinação da etiologia para os portadores de uma Perturbação do Espectro do Autismo (ASD) e no tratamento de pacientes com este diagnóstico. Este estudo “Autism spectrum disorder-associated biomarkers for case evaluation and management by clinical geneticists” confirma que há agora biomarcadores bem estabelecidos, de rotina, disponíveis e identificados, para ajudar os geneticistas clínicos a avaliar medicamente e tratar pessoas diagnosticadas com uma ASD e esboça brevemente alguns biomarcadores reconhecidos. Dependendo da causa da ASD, estes investigadores concluíram que “os riscos médicos associados podem ser identificados, o que pode levar ao rastreio e prevenção da potencial morbilidade em doentes e outros membros da família”. Os fundos para este estudo vieram da CoMed, Inc., uma organização não lucrativa, e do Instituto de Doenças Crónicas, de um fundo da Fundação BHARE.

 

As ferramentas importantes para a avaliação médica e o tratamento incluem o seguinte:

1-       Biomarcadores das porfirinas: Para ajudar a determinar se existe toxicidade do mercúrio e, quando é encontrada, para monitorizar as alterações da carga de mercúrio durante as terapêuticas de destoxicação.

2-       Biomarcadores da trans-sulfuração: Para ajudar a determinar se há susceptibilidade bioquímica ao mercúrio e, quando se encontra, monitorizar a resposta do doente durante a suplementação com terapêuticas nutricionais, como metilcobalamina (forma metilada da Vitamina B12), ácido folínico e piridoxina (Vitamina B6).

3-       Biomarcadores do stress oxidativo / inflamação: Para ajudar a determinar se há excessivos subprodutos de vias metabólicas e, quando encontrados, monitorizar o progresso do doente durante a suplementação com anti-inflamatórios, como a Aldactona (espironolactona).

4-       Biomarcadores hormonais: Para ajudar a determinar se estão presentes alterações hormonais e, quando encontradas, monitorizar o progresso do doente durante o tratamento indicado com reguladores hormonais como Lupron (acetato leuprolido) e Yaz (drospirenona / etinil estradiol).

5-       Biomarcadores da disfunção mitocondrial: Para ajudar a determinar se há disrupção das vias de produção de energia e, quando encontrados, monitorizar o progresso do doente durante suplementação com medicamentos como Carnitor (L-carnitina).

6-       Biomarcadores genéticos: Para ajudar a determinar se há factores causais genéticos ou de susceptibilidade e, quando encontrados, para fornecer pontos de observação sobre a modificação do comportamento para ajudar a reduzir o impacto destes factores genéticos.

 

Hoje, qualquer pai, médico ou técnico de saúde pode facilmente obter os serviços de um geneticista clínico que siga as orientações da ACMG para ajudar a avaliar e tratar os que são diagnosticados com ASD.