Autismo e inflamação-1

15/04/2010

Diana Vargas e outros do Johns Hopkins Hospital em Baltimore, USA, estudaram tecidos cerebrais de 11 autópsias de autistas e líquido cefalo-raquidiano de 6 autistas vivos.

Verificaram que em todas as autópsias havia sinais de neuroinflamação quer no córtex, quer na substância branca, e especialmente no cerebelo.

O líquido cefelo-raquidiano dos autistas vivos mostrou também um perfil específico pró-inflamatório de citoquinas.

Isto leva os autores a concluir que as reacções neuroimunes inatas desempenham um papel patogénico numa proporção ainda não definida de autistas, sugerindo que uma linha de tratamento possa envolver a modificação das respostas da nevroglia no cérebro.

O estudo foi publicado nos Annais de Neurology em Janeiro de 2005

As recções imunes que foram encontradas são do tipo inato. Não são respostas a produtos externos, como vacinas ou alimentação.

Estas reacções foram encontradas em todos os autistas examinados. No entanto, devido ao seu pequeno número, não se pode tirar conclusões para todos os autistas. No entanto, faz suspeitar que sim. É necessário fazer estudos mais alargados.

O que foi encontrado não são vestígios de uma inflamação passada, que tivesse deixado as suas marcas. É uma inflamação crónica e mantida. Ela pode estar envolvida em mau funcionamento dos neurónios e das sinapses dos autistas.

A neuroinflamação observada é muito diferente da que se observa em meningites e encefalites.

A neuroinflamação é mais intensa no cerebelo e sobretudo nas células de Purkinje.

Os anti-inflamatórios não são uma solução, pois eles actuam sobretudo na imunidade adaptativa, reduzindo a produção de imunoglobulinas, diminuindo a produção de células T e limitando a infiltração de células inflamatórias nos tecidos lesados. Aqui não aparecem este tipo de reacções. estão em estudo medicamentos adaptados a esta situação, mas é preciso esperar pelos resultados.

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Autismo e vacina tríplice

03/02/2010
THE WAKEFIELD STORY
MMR is the combined measles, mumps and rubella vaccine which was introduced in the late 1980s
In 1998 the Lancet published a study, led by Dr Andrew Wakefield, which linked the jab with autism and bowel disease
It has since been discredited by medical experts
A newspaper subsequently made allegations about the way the research was carried out
The General Medical Council launched an investigation and ruled he had broken research rules and acted unethically
Mais uma história triste. Mais um falso cientista que faz falsa ciência para fazer um favor a quem lhe paga, ou para dar um fundamento pseudocientífico a uma ideia ou causa que defende.
Já basta de causar sofrimento.
Não há relação entre autismo e esta vacina.
A pseudo-ciência não vem resolver os problemas dos autistas e das suas famílias. Antes os agravam, ao apontar direcções erradas, que não conduzem a nada, apenas a mais sofrimento.
As teorias do Dr. Wakefield devem ser todas revistas.

Exposição a anestesia geral pode aumentar perturbações do desenvolvimento

22/03/2009

Um estudo apresentado no último congresso da Associação Americana de Anestesiologistas aponta a possibilidade de as crianças expostas a anestesia geral terem maior probabilidade de perturbações do desenvolvimento, onde se incluem o Autismo e Asperger.

O Estudo foi dirigido por Lena S. Sun, Anestesiologista e Professora na Universidade de Colúmbia, Nova York.

O seu objectivo era examinar os possíveis efeitos, no cérebro humano em desenvolvimento, de agentes anestésicos de uso corrente.

Analisaram 625 crianças que até aos 3 anos de idade foram operadas a hérnia sob anestesia geral, sem complicações.

Compararam com 5000 crianças sem história de exposição a anestesia geral.

As crianças expostas a anestesia geral tinham duas vezes maior probabilidade de desenvolver uma perturbação de desenvolvimento ou do comportamento.

Este estudo é ainda preliminar, vai ser aprofundado, mas não se pode ignorar.

A confirmar-se vem trazer mais uma prova para a importância dos factores ambientais no aparecimento das perturbações em que se inclui o autismo e o Sindrome de Asperger.

Pode ver a notícia original em (está reproduzida em muitos locais):

http://www.medicinenet.com/script/main/art.asp?articlekey=93553


Marcadores bioquímicos para diagnóstico e tratamento

12/12/2008

ESTUDO MARCANTE: O AUTISMO RECONHECIDO COMO TRATÁVEL MEDICAMENTE

(Traduzido e adaptado da Newsletter da USAAA de 10/12/2008)

 

Em Abril de 2008, o Colégio Americano de Genética Médica (ACMG), que é um colégio da Associação Médica Americana (AMA), publicou orientações clínicas que os geneticistas clínicos deviam seguir na determinação da etiologia para os portadores de uma Perturbação do Espectro do Autismo (ASD) e no tratamento de pacientes com este diagnóstico. Este estudo “Autism spectrum disorder-associated biomarkers for case evaluation and management by clinical geneticists” confirma que há agora biomarcadores bem estabelecidos, de rotina, disponíveis e identificados, para ajudar os geneticistas clínicos a avaliar medicamente e tratar pessoas diagnosticadas com uma ASD e esboça brevemente alguns biomarcadores reconhecidos. Dependendo da causa da ASD, estes investigadores concluíram que “os riscos médicos associados podem ser identificados, o que pode levar ao rastreio e prevenção da potencial morbilidade em doentes e outros membros da família”. Os fundos para este estudo vieram da CoMed, Inc., uma organização não lucrativa, e do Instituto de Doenças Crónicas, de um fundo da Fundação BHARE.

 

As ferramentas importantes para a avaliação médica e o tratamento incluem o seguinte:

1-       Biomarcadores das porfirinas: Para ajudar a determinar se existe toxicidade do mercúrio e, quando é encontrada, para monitorizar as alterações da carga de mercúrio durante as terapêuticas de destoxicação.

2-       Biomarcadores da trans-sulfuração: Para ajudar a determinar se há susceptibilidade bioquímica ao mercúrio e, quando se encontra, monitorizar a resposta do doente durante a suplementação com terapêuticas nutricionais, como metilcobalamina (forma metilada da Vitamina B12), ácido folínico e piridoxina (Vitamina B6).

3-       Biomarcadores do stress oxidativo / inflamação: Para ajudar a determinar se há excessivos subprodutos de vias metabólicas e, quando encontrados, monitorizar o progresso do doente durante a suplementação com anti-inflamatórios, como a Aldactona (espironolactona).

4-       Biomarcadores hormonais: Para ajudar a determinar se estão presentes alterações hormonais e, quando encontradas, monitorizar o progresso do doente durante o tratamento indicado com reguladores hormonais como Lupron (acetato leuprolido) e Yaz (drospirenona / etinil estradiol).

5-       Biomarcadores da disfunção mitocondrial: Para ajudar a determinar se há disrupção das vias de produção de energia e, quando encontrados, monitorizar o progresso do doente durante suplementação com medicamentos como Carnitor (L-carnitina).

6-       Biomarcadores genéticos: Para ajudar a determinar se há factores causais genéticos ou de susceptibilidade e, quando encontrados, para fornecer pontos de observação sobre a modificação do comportamento para ajudar a reduzir o impacto destes factores genéticos.

 

Hoje, qualquer pai, médico ou técnico de saúde pode facilmente obter os serviços de um geneticista clínico que siga as orientações da ACMG para ajudar a avaliar e tratar os que são diagnosticados com ASD.