Tratamento dos sintomas

15/04/2010

Marvin Boris e outros

Journal of Neuroinflammation 2007

Partindo doprincípio de que há respostas imunes e inflamatórias envolvidas, especialmente do tipo Th2, foram experimentados medicamentos do grupo das tiazolidinedionas, que actuam sobre um receptor nuclear que modula  a sensibilidade à insulina e tem propriedades anti-inflamatórias nas células gliais.

Foi utilizada a pioglicazona, que é um medicamento autorizado nos EUA para o tratamento da diabetes tipo 2, em 25 crianças autistas, não Asperger.

Tinham outros problemas auto-imunes: 28% tinham tiroidite, 32% colite, 32% PANDAS (Doença pediátrica neurológica adquirida relacionada com estreptococo), 80% tinham doenças alérgicas e 28% tinham anticorpos séricos contra proteina básica da mielina.

Os pais responderam à Aberrant Behavior Checklist (ABC) antes de iniciar o tratamento e 4 semanas depois. As 58 questões são agrupadas em 5 subscalas: hiperactividade, fala inapropriada, iirritabilidade, letargia, estereotipia.

Em 76% houve melhoria (mais de 50% de diminuição do score) em pelo menos uma das subscalas. 56% melhoraram em dois ou mais subgrupos e 40% mostraram melhorias em 3 ou mais.

Os participantes mais novos mostraram maiores melhorias que os mais velhos.

Depois de mais testes, isto abre portas para tratar a inflamação associada a esta e outras doenças neurológicas (Alzheimer, esclerose múltipla).

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Autismo e inflamação-1

15/04/2010

Diana Vargas e outros do Johns Hopkins Hospital em Baltimore, USA, estudaram tecidos cerebrais de 11 autópsias de autistas e líquido cefalo-raquidiano de 6 autistas vivos.

Verificaram que em todas as autópsias havia sinais de neuroinflamação quer no córtex, quer na substância branca, e especialmente no cerebelo.

O líquido cefelo-raquidiano dos autistas vivos mostrou também um perfil específico pró-inflamatório de citoquinas.

Isto leva os autores a concluir que as reacções neuroimunes inatas desempenham um papel patogénico numa proporção ainda não definida de autistas, sugerindo que uma linha de tratamento possa envolver a modificação das respostas da nevroglia no cérebro.

O estudo foi publicado nos Annais de Neurology em Janeiro de 2005

As recções imunes que foram encontradas são do tipo inato. Não são respostas a produtos externos, como vacinas ou alimentação.

Estas reacções foram encontradas em todos os autistas examinados. No entanto, devido ao seu pequeno número, não se pode tirar conclusões para todos os autistas. No entanto, faz suspeitar que sim. É necessário fazer estudos mais alargados.

O que foi encontrado não são vestígios de uma inflamação passada, que tivesse deixado as suas marcas. É uma inflamação crónica e mantida. Ela pode estar envolvida em mau funcionamento dos neurónios e das sinapses dos autistas.

A neuroinflamação observada é muito diferente da que se observa em meningites e encefalites.

A neuroinflamação é mais intensa no cerebelo e sobretudo nas células de Purkinje.

Os anti-inflamatórios não são uma solução, pois eles actuam sobretudo na imunidade adaptativa, reduzindo a produção de imunoglobulinas, diminuindo a produção de células T e limitando a infiltração de células inflamatórias nos tecidos lesados. Aqui não aparecem este tipo de reacções. estão em estudo medicamentos adaptados a esta situação, mas é preciso esperar pelos resultados.