AUTISMO E AUDIÇÃO

06/03/2013

O diagnóstico de autismo tem vindo a aumentar dramaticamente. Nos EUA, em 20 anos, o número de crianças com diagnóstico de autismo aumentou de 1 em 1000 para 1 em 88. Os números são similares em outros países desenvolvidos. É uma autêntica epidemia.

Os números são reais?

O conceito de autismo alargou-se e passou a incluir outras doenças, falando-se agora do espectro do autismo. Isso conduz a um certo aumento do número de casos.

O conhecimento da situação também aumentou, quer da parte dos médicos, quer dos pais e professores. Mais diagnósticos são feitos.

No entanto, estas duas causas não explicam uma variação tão grande da prevalência do autismo. Há uma base biológica para o aumento de casos. Porquê?

Sabe-se que há uma interação complexa entre a genética e o meio.

A genética é complexa. Há pelo menos 10 genes que têm que interagir. Mas mesmo assim isso não é suficiente. Precisam de um gatilho ambiental para fazer aparecer a doença.

O autismo apresenta formas muito diferentes. No entanto, 80% deles têm um atraso na transmissão dos sons. Isso pode levar a que as palavras sejam percebidas mais lentamente e que numa conversa corrente eles estejam atrasados algumas palavras.

Talvez seja bom adotar uma forma de falar pausada, para que eles tenham tempo de processar a informação.

 

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Ómega 3 pode prevenir doenças psicóticas

10/05/2010

Óleo de peixe, rico em ômega-3, pode ajudar a prevenir doenças psicóticas, de acordo com publicação do periódico Archives of General Psychiatry

O uso de medicações antipsicóticas para prevenir psicopatias é controverso. O óleo de peixe, substância natural rica em ômega-3, pode trazer benefícios para uma série de condições psiquiátricas, incluindo a esquizofrenia, além de não apresentar efeitos adversos clinicamente relevantes.
O objetivo do estudo foi avaliar se o óleo de peixe reduz as taxas de progressão para o primeiro episódio de doença psicótica em adolescentes e adultos jovens, com idades entre 13 e 25 anos, com risco aumentado parapsicose.
O estudo duplo-cego, randomizado, controlado com placebo foi conduzido entre 2004 e 2007 e publicado este mês no periódico Archives of General Psychiatry. Oitenta e um indivíduos com propensão para doenças psicóticas, provenientes de uma unidade de diagnóstico para doenças psiquiátricas de um hospital público em Viena, Áustria, participaram da pesquisa.

O estudo durou um ano, com período de intervenção de 12 semanas com uma cápsula de 1,2 gramas de óleo de peixe (rico em ômega-3) ou placebo, seguido de período de monitoramento de 40 semanas. O objetivo primário foi avaliar a progressão para a doença psicótica. O secundário foi observar as mudanças nos sintomas e nas alterações funcionais.
No final do acompanhamento, 93,8% dos participantes concluíram a pesquisa. Dois de 41 indivíduos (4,9%) no grupo que recebeu ômega-3, e 11 de 40 indivíduos (27,5%) no grupo placebo apresentaram doença psicótica. O óleo de peixe também reduziu significativamente os sintomas e melhorou as alterações funcionais comparado ao placebo. A incidência de efeitos adversos não foi diferente entre os dois grupos.
Os resultados mostram que o tratamento com ômega-3 reduz a progressão para doenças psicóticas e pode ser uma estratégia segura e eficaz para a prevenção dessa condição em adultos jovens predispostos.
Nenhuma outra intervenção, incluindo medicamentos psiquiátricos, conseguiu tanto quanto o óleo de peixe retardar a progressão para esta patologia. O uso de medicamentos antipsicóticos tendem a ter efeitos adversos sérios, incluindo o ganho de peso e a disfunção sexual. A cápsula de óleo de peixe não apresenta efeitos colaterais importantes.
Não está claro se o óleo de peixe ajuda pessoas com psicose estabelecida.
Fonte consultada: Archives of General Psychiatry, volume 67, número 2, de fevereiro de 2010.


Tratamento dos sintomas

15/04/2010

Marvin Boris e outros

Journal of Neuroinflammation 2007

Partindo doprincípio de que há respostas imunes e inflamatórias envolvidas, especialmente do tipo Th2, foram experimentados medicamentos do grupo das tiazolidinedionas, que actuam sobre um receptor nuclear que modula  a sensibilidade à insulina e tem propriedades anti-inflamatórias nas células gliais.

Foi utilizada a pioglicazona, que é um medicamento autorizado nos EUA para o tratamento da diabetes tipo 2, em 25 crianças autistas, não Asperger.

Tinham outros problemas auto-imunes: 28% tinham tiroidite, 32% colite, 32% PANDAS (Doença pediátrica neurológica adquirida relacionada com estreptococo), 80% tinham doenças alérgicas e 28% tinham anticorpos séricos contra proteina básica da mielina.

Os pais responderam à Aberrant Behavior Checklist (ABC) antes de iniciar o tratamento e 4 semanas depois. As 58 questões são agrupadas em 5 subscalas: hiperactividade, fala inapropriada, iirritabilidade, letargia, estereotipia.

Em 76% houve melhoria (mais de 50% de diminuição do score) em pelo menos uma das subscalas. 56% melhoraram em dois ou mais subgrupos e 40% mostraram melhorias em 3 ou mais.

Os participantes mais novos mostraram maiores melhorias que os mais velhos.

Depois de mais testes, isto abre portas para tratar a inflamação associada a esta e outras doenças neurológicas (Alzheimer, esclerose múltipla).


Autismo e inflamação-1

15/04/2010

Diana Vargas e outros do Johns Hopkins Hospital em Baltimore, USA, estudaram tecidos cerebrais de 11 autópsias de autistas e líquido cefalo-raquidiano de 6 autistas vivos.

Verificaram que em todas as autópsias havia sinais de neuroinflamação quer no córtex, quer na substância branca, e especialmente no cerebelo.

O líquido cefelo-raquidiano dos autistas vivos mostrou também um perfil específico pró-inflamatório de citoquinas.

Isto leva os autores a concluir que as reacções neuroimunes inatas desempenham um papel patogénico numa proporção ainda não definida de autistas, sugerindo que uma linha de tratamento possa envolver a modificação das respostas da nevroglia no cérebro.

O estudo foi publicado nos Annais de Neurology em Janeiro de 2005

As recções imunes que foram encontradas são do tipo inato. Não são respostas a produtos externos, como vacinas ou alimentação.

Estas reacções foram encontradas em todos os autistas examinados. No entanto, devido ao seu pequeno número, não se pode tirar conclusões para todos os autistas. No entanto, faz suspeitar que sim. É necessário fazer estudos mais alargados.

O que foi encontrado não são vestígios de uma inflamação passada, que tivesse deixado as suas marcas. É uma inflamação crónica e mantida. Ela pode estar envolvida em mau funcionamento dos neurónios e das sinapses dos autistas.

A neuroinflamação observada é muito diferente da que se observa em meningites e encefalites.

A neuroinflamação é mais intensa no cerebelo e sobretudo nas células de Purkinje.

Os anti-inflamatórios não são uma solução, pois eles actuam sobretudo na imunidade adaptativa, reduzindo a produção de imunoglobulinas, diminuindo a produção de células T e limitando a infiltração de células inflamatórias nos tecidos lesados. Aqui não aparecem este tipo de reacções. estão em estudo medicamentos adaptados a esta situação, mas é preciso esperar pelos resultados.


Higiene no banho

22/09/2009

O chuveiro acumula bactérias no tubo e no “telefone”. Foram encontrados Mycobacterium avium com uma concentração 100 vezes superior à que aparece na água potável. Esta bactéria provoca infecções pulmonares.

Para evitar isto, deixe correr a água durante um minuto, antes de  dirigir o chuveiro para as crianças (ou pessoas com deficiência imunitária). Periodicamente, retire o “telefone” e coloque-o num descalcificador. As bactérias acumulam-se nas inscrustações de calcário. Se não conseguir retirá-las, mude de dispersor.


Tratamento hiperbárico de crianças com autismo

21/09/2009

Um estudo em 62 crianças com autismo mostrou melhorias significativas nas que fizeram 40 sessões de câmara hiperbárica, com 1,3 atmosferas e 24% de oxigénio. É o primeiro estudo prospectivo, aleatório, em dupla ocultação, que se faz sobre este assunto. Os resultados são muito encorajadores. Este estudo não avalia se as melhorias se mantêm ou se é necessário continuar o tratamento.

Os melhores resultados foram obtidos em crianças com mais de 5 anos e nos casos menos graves.

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O êxito deste tratamento parece estar relacionado com baixa irrigação sanguínea em certas regiões do cérebro e/ou com uma inflamação crónica cerebral, que o oxigénio hiperbárico ajudaria a tratar.

É uma grande esperança, pois ajuda a compreender e abre ao mesmo tempo uma linha de tratamento.

O artigo original foi publicado em: http://www.biomedcentral.com

Pode ser consultado na página dos artigos originais.


Marcadores bioquímicos para diagnóstico e tratamento

12/12/2008

ESTUDO MARCANTE: O AUTISMO RECONHECIDO COMO TRATÁVEL MEDICAMENTE

(Traduzido e adaptado da Newsletter da USAAA de 10/12/2008)

 

Em Abril de 2008, o Colégio Americano de Genética Médica (ACMG), que é um colégio da Associação Médica Americana (AMA), publicou orientações clínicas que os geneticistas clínicos deviam seguir na determinação da etiologia para os portadores de uma Perturbação do Espectro do Autismo (ASD) e no tratamento de pacientes com este diagnóstico. Este estudo “Autism spectrum disorder-associated biomarkers for case evaluation and management by clinical geneticists” confirma que há agora biomarcadores bem estabelecidos, de rotina, disponíveis e identificados, para ajudar os geneticistas clínicos a avaliar medicamente e tratar pessoas diagnosticadas com uma ASD e esboça brevemente alguns biomarcadores reconhecidos. Dependendo da causa da ASD, estes investigadores concluíram que “os riscos médicos associados podem ser identificados, o que pode levar ao rastreio e prevenção da potencial morbilidade em doentes e outros membros da família”. Os fundos para este estudo vieram da CoMed, Inc., uma organização não lucrativa, e do Instituto de Doenças Crónicas, de um fundo da Fundação BHARE.

 

As ferramentas importantes para a avaliação médica e o tratamento incluem o seguinte:

1-       Biomarcadores das porfirinas: Para ajudar a determinar se existe toxicidade do mercúrio e, quando é encontrada, para monitorizar as alterações da carga de mercúrio durante as terapêuticas de destoxicação.

2-       Biomarcadores da trans-sulfuração: Para ajudar a determinar se há susceptibilidade bioquímica ao mercúrio e, quando se encontra, monitorizar a resposta do doente durante a suplementação com terapêuticas nutricionais, como metilcobalamina (forma metilada da Vitamina B12), ácido folínico e piridoxina (Vitamina B6).

3-       Biomarcadores do stress oxidativo / inflamação: Para ajudar a determinar se há excessivos subprodutos de vias metabólicas e, quando encontrados, monitorizar o progresso do doente durante a suplementação com anti-inflamatórios, como a Aldactona (espironolactona).

4-       Biomarcadores hormonais: Para ajudar a determinar se estão presentes alterações hormonais e, quando encontradas, monitorizar o progresso do doente durante o tratamento indicado com reguladores hormonais como Lupron (acetato leuprolido) e Yaz (drospirenona / etinil estradiol).

5-       Biomarcadores da disfunção mitocondrial: Para ajudar a determinar se há disrupção das vias de produção de energia e, quando encontrados, monitorizar o progresso do doente durante suplementação com medicamentos como Carnitor (L-carnitina).

6-       Biomarcadores genéticos: Para ajudar a determinar se há factores causais genéticos ou de susceptibilidade e, quando encontrados, para fornecer pontos de observação sobre a modificação do comportamento para ajudar a reduzir o impacto destes factores genéticos.

 

Hoje, qualquer pai, médico ou técnico de saúde pode facilmente obter os serviços de um geneticista clínico que siga as orientações da ACMG para ajudar a avaliar e tratar os que são diagnosticados com ASD.